Montagem com Jacob Elordi em Euphoria, Frankenstein e O Caminho Estreito para os Confins do Norte
Jacob Elordi em Euphoria, Frankenstein e O Caminho Estreito para os Confins do Norte. | Imagens: HBO, Netflix e Prime Video

Jacob Elordi completa 29 anos em uma fase bem diferente daquela que o transformou em um dos rostos mais conhecidos da Netflix. A imagem de Noah Flynn, o interesse romântico de A Barraca do Beijo, ainda faz parte da trajetória do ator. Mas ela já não explica tudo o que ele faz em cena.

Nos últimos anos, Elordi passou a escolher personagens que usam sua presença física de formas menos confortáveis. Em alguns casos, ela vira ameaça. Em outros, desejo, distância, exaustão ou fragilidade. O ator que ficou associado ao galã adolescente hoje aparece devastado pela guerra em O Caminho Estreito para os Confins do Norte e quase irreconhecível como a Criatura de Frankenstein.

A mudança não aconteceu de uma vez, nem transforma todos os seus filmes em grandes atuações. Mas revela um ator que parece mais interessante justamente quando deixa de tentar corresponder à imagem que o público criou dele.

Noah Flynn deu a Jacob Elordi um rosto impossível de ignorar

Jacob Elordi como Noah Flynn em A Barraca do Beijo
Imagem: Netflix

A Barraca do Beijo foi o começo de tudo. Como Noah Flynn, o irmão mais velho rebelde e interesse romântico de Elle, Jacob Elordi entrou em uma franquia feita para alimentar fantasias adolescentes. O personagem era bonito, confiante, popular e tinha exatamente o tipo de presença que uma comédia romântica juvenil precisava vender.

Não é o papel mais complexo de sua carreira, e não precisa ser. Noah foi importante porque colocou Elordi diante de um público enorme e fez seu rosto se tornar reconhecível muito rápido.

O desafio veio depois. Quando um ator fica preso tão cedo a uma imagem de galã, qualquer papel seguinte corre o risco de parecer apenas uma variação dela.

Nate Jacobs transformou charme em desconforto

Jacob Elordi como Nate Jacobs em Euphoria
Imagem: HBO

A ruptura veio com Euphoria. Nate Jacobs não tem nada da fantasia romântica de Noah Flynn. A presença física de Elordi continua sendo central, mas agora ela carrega violência, controle e instabilidade.

O papel ajudou a mudar a maneira como parte do público enxergava o ator. Em vez de usar a aparência para conquistar, Nate usa a própria imagem como arma. É um personagem difícil de defender e ainda mais difícil de ignorar.

Ainda longe dos papéis que depois lhe dariam maior profundidade dramática, Euphoria abriu uma porta importante. A série mostrou que Elordi entendia que sua aparência podia funcionar contra ele em cena.

Quando o galã deixou de ser a fórmula

Jacob Elordi como Felix Catton no filme Saltburn
Imagem: Amazon MGM Studios

Em Saltburn, Jacob Elordi começou a aparecer em projetos que não dependiam da fórmula que o tornou conhecido. Como Felix Catton, ele interpreta um jovem rico que parece existir em outra temperatura do mundo ao redor.

Felix tem charme, dinheiro e a segurança de quem nunca precisou se esforçar para ser notado. Elordi entende bem essa distância. Ele não precisa transformar o personagem em alguém excessivamente calculado. Basta entrar em cena como alguém acostumado a ser desejado, ouvido e seguido.

Saltburn é um filme estranho, provocador e, em vários momentos, deliberadamente desconfortável. Elordi não é o centro de toda a loucura da história, mas funciona como a figura que faz esse universo parecer irresistível antes de se tornar sufocante.

Em Priscilla, de Sofia Coppola, ele também aparece em um registro distante da fantasia adolescente que marcou sua fase na Netflix. O filme ajuda a mostrar um ator interessado em personagens menos prontos e mais contraditórios.

Em Apostas & Segredos, Elordi encontra outra escala. O drama de época não pede a mesma ostentação de Felix nem a violência de Nate. Ali, ele aparece em uma história mais contida, ligada a desejo, deslocamento e escolhas que nunca parecem simples. É um trabalho menor dentro de sua trajetória, mas importante por mostrar que ele não depende apenas de personagens feitos para dominar qualquer ambiente.

A guerra aparece no corpo de Dorrigo Evans

Jacob Elordi como Dorrigo Evans em O Caminho Estreito para os Confins do Norte
Imagem: Prime Video

Em O Caminho Estreito para os Confins do Norte, Jacob Elordi interpreta o jovem Dorrigo Evans, médico australiano e prisioneiro de guerra durante a construção da Ferrovia da Birmânia na Segunda Guerra Mundial.

É um dos trabalhos em que ele mais consegue desaparecer dentro do personagem. O corpo abatido, a magreza, o olhar cansado e a maneira como Dorrigo se move fazem parecer que a guerra não está apenas ao redor dele. Ela está gravada nele.

O mais convincente não é somente a transformação física. Elordi faz Dorrigo carregar o peso de alguém que tenta continuar funcionando depois de viver coisas que ninguém deveria viver. Há dor, culpa, medo e uma exaustão que não precisa ser explicada em voz alta.

A série não trata a guerra como espetáculo. Ela olha para o trauma, para a fome, para o cansaço e para tudo o que sobra quando a sobrevivência deixa de ser heroica. Elordi entende isso e evita transformar Dorrigo em um protagonista invencível.

Aqui, o galã desaparece. O que fica é um homem destruído tentando seguir em frente.

Em Frankenstein, Elordi dá humanidade à Criatura

Jacob Elordi caracterizado como a Criatura em Frankenstein
Imagem: Netflix

Frankenstein é, sem dúvida, o ponto mais alto da carreira de Jacob Elordi até agora.

A transformação impressiona antes mesmo de ele falar. A maquiagem, as próteses e o corpo reconstruído fazem parte do impacto visual criado por Guillermo del Toro. Mas seria fácil reduzir a atuação a isso. O que torna a Criatura memorável está no que Elordi faz por baixo de tudo.

A voz é lenta, sofrida e parece nascer aos poucos, como se o personagem ainda estivesse aprendendo a organizar a própria dor. O jeito de andar muda. A postura começa insegura, quase infantil, e vai ganhando peso conforme a Criatura entende o que foi feito com ela.

Elordi não interpreta um monstro interessado apenas em vingança. Ele faz o público enxergar alguém que foi criado sem pedir, rejeitado pelo próprio criador e tratado como algo que não merece ser amado.

É por isso que a Criatura funciona. Ela não pede que o espectador tenha medo o tempo inteiro. Ela pede que o espectador olhe para ela e reconheça uma pessoa ferida.

A grande força de Elordi está em não deixar que a maquiagem apague a humanidade do personagem. Pelo contrário: quanto mais irreconhecível ele parece, mais clara fica a dor da Criatura.

Jacob Elordi dá força a Heathcliff

Jacob Elordi como Heathcliff sentado em uma sala elegante em O Morro dos Ventos Uivantes
Imagem: Warner Bros. Pictures

Em O Morro dos Ventos Uivantes, Jacob Elordi assume Heathcliff ao lado de Margot Robbie como Catherine. A adaptação de Emerald Fennell faz escolhas exageradas, sensuais e por vezes polêmicas, sem grande preocupação em seguir o romance de Emily Brontë de forma tradicional.

Mas Elordi e Robbie ajudam a sustentar o filme. A química entre os dois dá sentido à intensidade da história, mesmo quando o roteiro parece mais interessado em causar impacto do que em desenvolver algumas de suas ideias.

Heathcliff permite que Elordi atravesse duas imagens muito diferentes. Primeiro, ele aparece como alguém sem nada, sujo, desarrumado e deslocado. Depois, ganha presença, elegância e o tipo de magnetismo que faz Catherine parecer incapaz de escapar dele.

Não é um filme que depende apenas dos dois protagonistas, mas a força da dupla é o que mantém a tragédia funcionando. Elordi entende que Heathcliff não pode ser apenas um homem bonito e atormentado. Ele precisa carregar ressentimento, desejo e uma sensação constante de que aquele amor nunca será simples.

O 007 é rumor, mas diz algo sobre seu momento

O nome de Jacob Elordi passou a circular nas reportagens sobre a busca pelo próximo James Bond. Ele aparece nas especulações ao lado de Callum Turner, mas a Amazon MGM ainda não anunciou oficialmente quem viverá o novo 007.

A possibilidade importa menos por causa de Bond e mais pelo que ela revela. Alguns anos atrás, Elordi era lembrado antes de tudo por uma comédia romântica adolescente. Hoje, seu nome aparece em conversas sobre uma das franquias mais disputadas de Hollywood.

Antes de qualquer definição sobre 007, Jacob Elordi já tem um próximo projeto confirmado. Ele estrela Ponto Sem Retorno (The Dog Stars), novo filme de ficção científica dirigido por Ridley Scott, ao lado de Josh Brolin e Margaret Qualley. O longa estreia nos cinemas brasileiros em 27 de agosto de 2026.

A trajetória ainda está em construção. Nem todo papel tem o mesmo peso, e nem todo filme aproveita tudo o que ele pode fazer. Mas O Caminho Estreito para os Confins do Norte e Frankenstein mostram que Jacob Elordi já encontrou algo mais valioso do que uma imagem pronta.

Ele encontrou personagens capazes de fazer o público esquecer quem está por trás deles.

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